Sol-idão

ImageNão estou me sentindo bem. Tenho no peito algo que me sufoca, guardado tão profundamente que eu sinto meus pulmões espremidos. Meu coração espremido. Minha traqueia espremida. Meu eu oprimido. Respirar é difícil, é pesado e por vezes parece tão desnecessário. Sinto os retrocessos e doi mais do que de costume quando você se acostuma a progredir. Eu fui embora, mas, usualmente, se tem que voltar. E essa volta machuca. Corroi. Estou corroida. Minha saliva ácida dissolve minha língua e sou empurrada novamente para o silêncio. Quero falar mas não tenho como, nem o que. O lobo que eu tenho por dentro não consegue se exprimir diretamente.

Meu corpo inteiro pende. Inerte. Mole. Frouxo. Estar por perto faz isso comigo. Certas coisas não permitem que eu me aproxime de maneira segura. A proximidade de algumas pessoas, alguns lugares e coisas me faz mal. E por mais que exista quem diga que a distância é ruim, eu discordo.

Estar longe me fez bem interior e exteriormente. Aqui não tem espaço para mim. Eu preciso ir pra lá, eu vou para lá. Mas parece que o tempo se arrasta.

Acho que eu nasci para ser sempre a distância. Para ser solidão. Não reclamo, vejo a beleza no que tem dentro de mim. Me afastar dessa beleza é o que me cega. Eu quero ser distante. Eu quero ser sozinha. Ninguém pode renegar o seu interior.

Dolorida demais para escrever muito. Dolorida demais para não escrever. Eu vou ficando por aqui, por enquanto, infelizmente.

(Bruna Alencar)

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