A história de um carnaval que queria perpetuar-se

ImageEla não foi acostumada a desistir e deixar as coisas em pedaços, em não correr, em não escolher. Se ela quer, ela faz tudo o que pode, vai até onde suas forças permitem, pode acabar por exaurir-se toda, mas não para, continuar mantém a vida. Ela é aquele tipo de pessoa que tem um fábrica louca de pensamentos, ações, ponderações e liberdades invisíveis. Ela solta seu coração, como o de um cão sedento, e esquece que não prender a si mesmo é muito mal visto em sociedade. Mas, para ela, soltar-se faz um bem inimaginável por dentro, a alma grita de alívio depois que ela vai até as últimas consequências do que desejou.

Ela sou eu. Ou eu sou ela. Ela está aqui dentro, e eu sou apenas uma telespectadora diante de toda essa insanidade. Mas, eu procuro ainda o racional, procuro entender o que apenas sentimos, por mais que alguns prefiram esconder. Dissimular parece tão comum, não é mesmo? mas ela não, eu não, eu prefiro a verdade, a verdade que assombra, a verdade que corta, a verdade que assusta e mostra o interesse de quem é um ser humano, e se sente vivo. E quer sentir-se vivo. Não basta apenas viver.

Então, em um dia, desses que o sol se esconde e a chuva vem calmamente saudar a terra, em um fim de tarde de um carnaval, as gotas de uma chuva branda vieram lamber meus braços, meu cabelo, meu sorriso de colombina. Não fui a única. Ele também estava lá, em algum lugar, sei que ele sentiu a água vinda do mesmo lugar, compartilhamos alguma coisa que ele não sabe – de fato – e que eu também não sei. Ele me encantou sem saber, com um sorriso de quem já viveu mais do que consegue demonstrar, de quem já sentiu mais do que transpareceu.

E, assim, eu fui atrás dele, fui atrás do terrorismo de viver na iminência de um sim ou um não. Fui viver a expectativa e aceitar a felicidade de não esconder. Não dissimularei, logo, aprendi que aceitar que os resultados fazem parte do jogo, em quaisquer que sejam as situações. Se eu gosto, se me encanta, se me envolve, eu não vou jogar com isso. Eu direi, ele vai saber. Por mais que eu não saiba como ele irá me ver após.

Falar quando se precisa é uma das melhores sensações dessa torpe vida. Se não der certo, se ele já possuir outra colombina em sua vida, eu me retiro. Se ele não gostar da minha fantasia, se o santo que ele carrega no semblante não bater com o meu, eu vou para longe com pés de algodão. Eu não vou fazer drama do que não aconteceu. Eu não tenho talento e tempo sentimental para escrever Máscaras, eu não sou um Menotti Del Picchia.

Mas, se ele me pede para ficar, ele terá o melhor de mim – o que não significa que não terá também o pior, eventualmente – ele terá uma pessoa devotada e leal, ele terá um soldado que não vai pisar em seu coração. Terá alguém que quer conhecer todas as partes do todo, da sua vida. Alguém disposta a compreender, a se desprender de espaços alheios e ocupar apenas um. Alguém que fará carinho em todo o seu corpo, em toda a sua alma. É só isso que eu posso prometer: cuidados com o amor, carinho e zelo e, indiscutivelmente, só posso oferecer a mim mesma. Para tudo que lhe for possível fazer com isso que oferto, estou aqui.

(Bruna Alencar)

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