Quem são estes que estão brincando com as palavras? são escritores, são poetas. São insanos.

escritor

“Ela é um gênio, ela escreve poesias, prosas, cartas intimistas, manifestos e blablabla” não é isso que um escritor espera ouvir, ninguém se desnuda interiormente no papel por ser completamente altruísta – pode ser, parcialmente – aquele que escreve é, antes de tudo, um fugitivo, um sofredor, um egoísta, pois, ao escrever, liberta sua própria alma, põe para fora seus demônios e ordena – um pouco – o caos do que seu próprio cérebro abriga. Transcrevemos nossas impressões sobre o que nos toca, nos marca.

Um escritor escreve para conseguir seguir com seus dias que parecem tão vazios. Um escritor é aquele que pelo papel consegue sua voz, tirar de si aquilo que não pode continuar a contecer. Escreve para não sufocar, escreve contra o desespero das pequenices cotidianas.

Ao meu ver, quem escreve sobre si, procura, antes de tudo, conseguir ver sua própria vida pelos os olhos de outra pessoa, mas sem perder o lado intrínseco, o lado denso que normalmente sempre fica preso na mente, calado – ninguém nunca consegue dizer tudo, mas, mesmo assim, tentamos -, de forma absurda, procuramos fugir um pouco de nós, estendendo um pouco do que somos, vivemos e sofremos para outras pessoas. Quem escreve sobre os outros e sobre o mundo, é, antes de tudo, um observador exterior e de reflexos interiores.

Eu só consigo escrever quando estou triste, inquieta, sufocada, transformo minha dor em palavras, não consigo realizar o processo em questão quando estou feliz. Minha felicidade me torna livre demais para me prender no papel. No entanto, na minha tristeza consigo escrever sobre os períodos de felicidade perdidos, passados. Santa soletud. Santa morbidez.

No geral, escrever é buscar compreensão de nós, como seres humanos, por outros da nossa espécie, desejamos ser compreendidos, precisamos, e no entanto somos, quase sempre, mal interpretados, é a sina de quem tenta a comunição entre seres que ainda hoje pregam a vida como o bem máximo do ser humano, ao passo que faz-se guerra. Somos contradição.

(Bruna Alencar)

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