As surpresas que o fim do dia nos reserva

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A minha descrença me surpreendeu. A minha descrença me surpreende. Desistir de encontrar alguém me levou a caminhos que outrora eu não percorreria.  Me levou à caminhos inusitados e estes me levaram até você.

Deixar-se ser e provar que a descrença trabalha junto com o destino, o acaso, as provações e provocações da vida, tudo isso, junto, unido, um elo de uma revolução sentimental, o começo de uma quebra de crenças. O começo de um novo e desejado prefácio. O começo de uma loucura racional, mas, antes de tudo, o começo de algo belo e leve. AVANTE!

(Bruna Alencar)

Um Domingo Inquieto

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Algo parece bater dentro de mim, algo que vai além de um coração cego. É uma inquietação ainda desconhecida, é um desejo de dar vazão a uma confusão que eu ainda não criei. Eu quero o estrago. Tenho fascínio por loucuras. Tenho paixão pelo desconhecido. Desejo o belo e o torpe, o vil, anseio pelo o que não posso ter e também abraço o perigo. São pedaços desconexos de uma pessoa incompleta em mim.

Tão fragmentada, ah, pequena semeadora de dúvidas. Tão longe da totalidade. Os problemas do seu humano são muitos e alguns tão fáceis de se resolver, basta querer. Mas quem quer o fácil? Acho que quando passamos de homo sapiens para homo sapiens sapiens também ficamos fadados a complicar tudo. Guerras. Beijos allheios. Violência. Dor. Raiva. Falta de carinho. Solidão. Esquecimento. Tudo é tão complicado e tão baseado no outro, baseado em não procurar uma saída pro problema, mas baseado sim em buscar o meio para punir em vez de exterminar.

Correr é sempre tão fácil, mas não resolve nada. Correr de ti, do mundo, dos problemas me fez ficar cega. Uma cegueira baseada no medo dos resultados. Vá, resolva tudo por mim, ficando longe e ficando bem. Um beijo dolorido! Ah!

(Bruna Alencar)

Rascunhos de uma cigana ébria

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Sinto muita coisa no meu sangue. Muita coisa corre dentro de mim, mas, ainda sim, eu quero escrever. Sinto sono. Sinto cansaço. Sinto vontade de contar o que se passa em uma mente turva por um certo álcool. Quem acreditará? é a bebida que te leva. Não deixe. Não deixe. Não deixe não.

Aqui, junto com os outros ciganos, eu estou construindo uma nova história. Aqui, junto com esses meus semelhantes, por vezes de mim tão diferentes, eu danço e me entrego a vícios aos quais eu já havia renunciado. Mas, qual é o limite entre o vício e a escolha? Aqui eu estou conhecendo novos sorrisos e dandos tantos outros que nem eu imaginava possuir. Aqui eu estou feliz, aqui eu não sinto medo de estar feliz – medo que sempre me foi comum – e assim eu tenho certeza de que fiz as escolhas certas. Eu poderia estar entre tantos outros ciganos, mas estou diante dos melhores. Talvez eu não acredite em destino, mas acredito sim que minhas pernas escolheram enveredar por esse caminho, algo me trouxe até aqui, sem ponderações, só posso agradecer.

Aqui as garrafas me abraçam. Quem sou eu para não retribuir? Aqui eu não sei quando eu termino e quando começam outros ciganos, outros copos e outras histórias. Aqui viramos um. Aqui viramos parte de um todo que promete tornar-nos todo vida de amores, histórias e estórias, resenhas de revoluções sentimentais.

Vou parando por aqui. Espero que tudo não seja afetado pela parte da noite que eu não lembro. Vou parando por aqui e seguindo com meu bandolim. Estou ridícula, sou ridícula. Mas, ridículos não seríamos todos?

(Bruna Alencar)

 

Do resurgimento do amor fraternal

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Do mesmo modo que a vida é dura o amor é doce. O amor é o meu pão. O amor me faz caminhar por ruas estreitas de um coração tão pouco lapilado. Um coração cru. E, um dia, nessas mesmas ruas, eu encontrei alguém com uma parte perdida do meu sorriso. Uma parte que eu procurei, em vão, até hoje, um sorriso de um irmão de alma. Um sorriso que não se preocupa em ser, pois é, sem pretensões, é pureza, é beleza e, por assim ser, me completa.

Um sorriso em um corpo que só pede carinho. Um sorriso em um corpo que o terá. Um sorriso que abriga tudo, um irmão, um primo, um pai, um tio, um amigo. Um amigo. Um amigo que perdurará. Minhas pernas não mais seguirão sozinhas, encontrei pernas que seguem pelas as minhas mesmas veredas. E fico contente, plena, em saber que meus pés não são os únicos a pisar em um chão seco de dúvidas e perguntas eternas.

Se todas as pessoas que vieram antes de ti, todos os amigos, todos aqueles que ocuparam um espaço no meio peito temeroso, vieram apenas e exclusivamente para me moldar e me preparar para a tua chegada, eu posso gritar que aceito todos os meus sofrimentos passados. O outro faz parte da nossa parte mais escondida, mais intrínseca, o outro já fui eu e eu já fui o outro. Hoje sou você e por meus olhos agradeço a sua presença. Obrigada, Gustavo!

(Bruna Alencar)

Seguindo com nova pele e convicções

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Estou o meu ser.

Fugindo do comodismo nosso de cada dia. Fugindo do que me é conveniente. Fugindo dos relacionamentos fáceis, mas sem sentimento. Fugindo das convenções. Fugindo de rancor. Fugindo do medo de ter medo de um amor proibido. Fugindo de pessoas que fogem. Fugindo de quem não dá a cara a tapa ao passo que beija a mão do algoz. Fugindo de fingir não gostar de ti.

Perseguindo. Perseguindo essa leveza ser contigo, mesmo sem estarmos. Perseguindo meus sonhos, meus devaneios e, acima de tudo, perseguindo a felicidade para você, por você, mesmo que ela chegue pra ti pelos olhos de outrem. Perseguindo alguém que eu não sei quem é. Perseguindo alguém que sou eu, mais do que eu mesma.

Me transformando. Me transformando em memórias e, antes de tudo, me transformando em sonhos. Me transformando em novas amizades, em sentimentos plenos e independentes, me transformando em sorrisos tímidos pela a madrugada a dentro. Me transformando em agradecimentos por ter sido transformada, me transformando em gratidão, me transformando em pureza.

Antes de seguirmos por uma via de vida dupla, seguiremos por uma via de amores cotidianos. Seguiremos por um sorriso limpo e sem culpas. Um sorriso que só deseja o bem.

(Bruna Alencar)