Não seríamos nós as borboletas cegas?

Image

Todos os dias minhas noites têm sido assim, repleta de borboletas, elas entram no apartamento e se reúnem ao redor das lâmpadas, comemoram minha insônia, ficam pelo teto, me resguardam, me ignoram e abençoam o ser humano, tão maravilhoso, por ter construído esse pequeno sol.

No entanto, pela manhã, verdadeiro sol, astro magnum, brilha e elas querem voltar para o seu lorde. Querem voltar impunemente, após passar a noite contemplando falsos deuses, contemplando fontes de luzes artificiais. Querem voltar, mas já se encontram cegas diante do que é verdadeiro. Querem voltar, mas tropeçam nas circunstâncias.

Pela manhã as borboletas estão alvoroçadas, voam por todas as direções e se deparam com espelhos e janelas de vidro, mesmo estando diante de uma outra abertura que lhes daria a liberdade, a visão ampla. E elas continuam a se debater contra uma janela fechada, não entendendo que são impedidas de voar para a luz por uma camada de vidro. São iludidas e erroneamente insistem em querer transpor a janela fechada. São cegas às parcelas. São convenientemente cegas.

Queremos.

Queremos. Queremos

A janela vai ter que desaparecer pois o sol nos quer.

Muda o mundo, mas não mudamos nós

Sempre tão prepotentes

Sempre tão ínfimas

Somos nada, além

De borboletas

Insanas

Somos elas e elas somos nós. Com nossa altivez tão estúpida. Com nossa cegueira para o que realmente importa. Somos nós, dando vazão ao nosso querer sem ponderar com a razão. Somos nós e queremos agora.

Quantas vezes fomos borboletas, quantas vezes voltamos humildemente com nossas asas quebradas. Mas, mesmo assim, não parecemos aprender, continuamos insistindo nos erros, continuamos negando os olhos para a verdade. E o pior é que erramos sem nos dar conta do erro. Erramos e nos achamos sublimes. Erramos e errando somos humanos.

E agora estou aqui, me sentindo borboleta e não sabendo se estou diante de uma janela aberta ou uma fechada. Estou aqui e me pergunto se devo seguir em frente. O amor é um território de dúvidas, antes de mais nada é uma terra de pés que pisam vacilantes. O amor é o deus do homem, o amor é o fim do mesmo.

O amor sacode minhas roupas, sacode minha alma e revira meus pensamentos. O amor quebra minhas asas, o amor me aproxima da sensatez, o amor me faz deus ao passo que me torna mais humana. O amor é a contradição de um complexo de borboleta cega.

Ah, se for amor, como é leve!

Se for amor, que me tire a cegueira, quero transmitir amor. Quero amar estar amando. Quero transpor minhas barreiras, janelas, quero gritar amor. Quero morrer de pureza. Quero ir pra perto de quem irradia amor.

Antes disso tenho um apelo sincero ao universo: me ajude, sou pequena, na minha velhice sou criança diante do amor. Não permita que eu adore às fontes artificiais de luz, me leva pra ti, astro rei, me leva pra ti e me abraça, meu sol, me leva pra ti e me faz saber de que se trata de ti. Estou cansada de duvidar, quero sentir.

(Bruna Alencar)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s