anbo

(…)

“- Pietá, tem mais algo para me dizer?

– Bom, Miguel, nós fizemos um trato, mas eu preciso admitir, não me saio bem com tratos, contratos e tudo que exija que eu fique estável, imóvel, me petrifique. Eu só sei fazer negócio com uma coisa, e essa coisa, pra mim, é o amor. Eu não quero assustar ninguém, eu só quero que você saiba em que barco está entrando. Esse barco nunca vai ficar muito tempo parado, mas sempre vai querer te levar junto. Não posso te oferecer segurança, mesmice, só posso te garantir que lugar aqui você sempre vai ter.

Miguel olhou em meus olhos e piscou por alguns segundos,  então ele me segurou pelos ombros e me puxou. Me deu o beijo mais faminto e terno que é possível se dar ao tentar conciliar o desejo com a pureza. Então ele me soltou, mirou minhas córneas e disse:

– Acabo de colocar meus dois pés nesse barco.” (…)

(Bruna Alencar em O MAR DO TEU CORPO)

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