Ficando nas partes de não tomar parte, de não ter forma

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Não sei se hoje estou pronta para as palavras, para o papel, para a escrita de mim, para a escrita do mundo. Sei que hoje estou além. Além de mim. Além da dor. Além da compreensão.

Hoje estou dor

Hoje estou sentido o que eu não queria sentir por ser eu. Não sei se consigo exprimir o que me habita, sei, no entanto, que passear entre as letras sempre parece o melhor caminho, mesmo que, hoje, somente hoje, não seja solução. Tem sempre algo mais. E hoje o algo mais foi demais.

Eu olho para as pessoas, eu olho para os lugares e tudo parece despedaçado. Tudo parece longe de me tocar. Eu sigo minha vida, me preocupo com coisas banais, lavo a louça, limpo os livros e não me sinto. Parece que eu estou me vendo de fora de mim, e não me reconheço mais como eu. Quem sou eu, no fim fatídico deste dia inquieto?

Estou inabitada. Estou entre quimeras. E talvez eu seja a minha maior quimera.

Hoje eu estou ficando pelo caminho da indefinição, hoje eu penso, penso, penso e fico estática, remoendo dores que em mim nascem, todos os dias. Penso, penso, penso e crio novos paradigmas, novas soluções, novos desastres. Penso, penso, penso e morro um pouco pensando. Penso e me pergunto, por que logo eu? Sinto que estou aqui pra algo, mas não acho o algo e fico assim, incompleta. Fico pelas parcelas do sentimento, fico pelas parcelas do pensamento, fico mais próxima da morte.

Doi pensar, doi pensar em sentir e doi sentir. Sou uma doente em estado terminal. Sou sempre escondida, sou sempre incontida, e ninguém parece notar. Como já dizia Chacal “Se o meu sorriso revelasse o fundo da minha alma, muitas pessoas ao me ver sorrir, chorariam comigo.” Se Ninguém parece me olhar, realmente, nos olhos,focalizar minhas córneas, ninguém nota o quanto eu sofro, todos os dias. Pra sofrer tenho que fazer alarde? Não faço, mas isso não significa que eu não esteja pedindo socorro.

Eu venho e vou com a felicidade, eu venho e vou com a tristeza. Eu venho e vou com os pensamentos no mundo, nos mundos, nas pessoas, nas mazelas, no desconhecido. Eu venho e vou. Eu vou e espero sempre voltar.

Acalma-te. A alegria volta. Ela prometeu.

Adiós!

(Bruna Alencar)

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