Sol de Adão

ImageA eterna volta à maternidade, à mater, à idade, à infinidade, à incompletude. Voltei ao começo.

Depois de retornar ao território no qual me dei conta de ser um ser, o meu ser só anseia pela volta. Não consigo ficar aqui por muito tempo, lembranças, lembranças, grilhões, palpites, ordens, sons e sons. Muitas vozes, todos os dias, além da minha, não me agradam. Não nasci para a solidão, eu a escolhi como cura.

E a solidão, meu bem, como todas as outra coisas, em demasia, cansa. Neste momento saímos, bebemos, chamamos os amigos, gritamos os desconhecidos, abraçamos à família, deitamos no meio fio, entrelaçamos nossas pernas com as de um mendigo, um menino, um amor. E só. E só, e, sempre só, voltamos.

 Voltamos para a solidão,

para o Sol de Adão,

para a Lua da Eva.

Mas, e quando não podemos voltar? E quando nos encontramos presos, mesmo que momentâneamente, à companhia de alguém, alguéns? E quando não podemos, nem por um minuto, ficar sozinhos?

Eu quero minha solidão de voz, de Vênus, de vez

De mente, de gritos, de palmas, de tez

Eu deixei minha solidão, física, na Cidade Das Pedras. Minha solidão, de mente, está aqui, sempre aqui. Mas preciso da solidão completa, para ler, para sentir, para lamber meu próprio corpo e para que eu perceba meu próprio gosto. Eu quero um tempo para me sentir, sem tantas interrupções, sem tanta observação. Livre de tantos julgamentos, regras, tradições.

Eu quero uma folha em branco e um copo de vermute

Eu quero ficar sozinha, e isso, no momento, me basta

O problema reside no fato de eu querer sempre o que não posso ter

Posso ficar, ao menos, com o álcool?

(Bruna Alencar)

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