Deix-AR

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Eu nunca mais falarei de amor, começando agora. Eu nunca mais falarei das madrugadas entre minhas solitárias paredes. Eu nunca mais falarei da dor que você impõe às minhas córneas. Eu nunca mais falarei dos meus ossos quebrados e da minha mente vacilante. Eu nunca mais falarei das minhas dúvidas. Quimeras mundanas, o amor nada mais é que uma utopia, e eu nada mais sou que um monstro submarino. Imersa. Imersa.

Imersa em um oceano de tristeza, você é o afluente. Assim, se todo rio desagua no mar, como poderei escapar? há alguma alternativa? existe vida após toda essa dança? só vejo dois caminhos: por ti ou após você. Os dois machucam, só me resta escolher o que promete, talvez, depois, curar.

Nosso amor foi um tango, um tango argentino dos mais dolorosos. Vermelho. Ácido.

O problema é que só eu sei dançar.

Você veio, me cortejou, deixou com que eu me deslumbrasse ao passear contigo pelo salão, segurou minha mão, mirou minhas córneas e disse “me espere”, foi e eu esperei, esperei a noite toda. Esperei até o fim do sorriso. Esperei até que minha expectativa acabasse. Acabou. Acabou e eu continuei esperando.

Então você voltou, ofendeu-se com o fim do sorriso, pediu meu perdão com um rápido carinho e pediu que eu criasse raízes. “Não sei dançar, vamos ficando por aqui, calma, no amor e na alma, devagar com esses sentimentos”, Ora, problema seu, disse eu. Aprendi à dançar desde cedo, nos sapatos não hei de economizar, fixa teu amor, fixa tua alma em algo que tu possa controlar, eu, meu bem, estou indo, já perdi, hoje, o tempo de dançar. Mas não há problema, o amanhã há de chegar, vai chegar!

Não há sorte em um amor doente, não há sorte em comedir o amar.

Melhor que eu me vá.

(Bruna Alencar em Poesia Proseada, Vida Romanceada)

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UM NOVO ENCANTO, UM NOVO PRÓLOGO

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Eu, pessoa sempre tão dada à prosas, encontrei a poesia, a poesia que flui, que sai sem que eu precise pensar milênios e milênios como dizer, como mostrar o que sinto, a poesia me encontrou quando eu sufocava entre tantas coisas que eu não conseguia deixar na prosa, a poesia veio e foi me levando, me transcrevendo e hoje eu ponho meus dedos na poesia e a poesia coloca a mão inteira em mim, eu pedi licença pra ela e ela cedeu, tão lépida, tão leve, me levou e seguiu. A poesia me escolheu, eu me entreguei e gracejei com todo o meu corpo para a poesia. Agradei, beijei quente, abracei e quando vi ela ia e vinha sem pedir licença.

Hoje é fácil fazer poesia

Hoje é fácil sentir

As palavras partem e voltam

Para o lugar certo, elas sabem

Não me perguntem como, elas sabem

Escrever é isso, deixar sentir, e, por mais que muitas vezes não consigamos dizer tudo, nunca poderemos desistir, pois é a busca que faz a arte. Somos todos uns perdidos, uns fodidos, todos nascemos apenas para perseguir, nunca encontraremos. E talvez essa seja a magia da vida. ME ENTREGO, POESIA, PROSA, POESIA PROSEADA, VIDA ROMANCEADA!

(Bruna Alencar em Poesia Proseada, Vida Romanceada)