O tempo e a existência

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O dono do mundo, de nós, das percepções, dos sentimentos, dos afagos, das lembranças, do dinheiro, não é nenhum banco, nenhuma celebridade, nenhuma doença, nenhum empresário. Não é pessoa, não é ser, não é nada que possamos tatear e, nem por isso, é menos. Aliás, é mais. Mais do que se possa quantificar, medir, estipular, adequar aos padrões terrenos.

O Tempo

Lento, veloz, rápido, atroz

Impiedoso, sarcástico, alheio, tenaz

O tempo é o dono de tudo que nos cerca, de tudo que temos, de tudo que somos e é responsável pela noção de ser. Seremos alguém? Estaremos mesmo aqui? Viver é sonhar? Existir é saber? Só o tempo te dirá, ou calará, altivo, cromado, duro, inflexível.

Só o tempo não volta, só o tempo se vai.

As façanhas do dono universal de todos os relógios – biológicos, analógicos e maculados – são tantas. São maiores do que podemos segurar, impedir. O tempo vai e vamos com ele, não podemos  negar à ele os nossos pés.

O tempo vai e o tempo fica.

O tempo que fica pode ser tantos, tantos. O tempo que vai corre como um maratonista medalhista durante aquele beijo que Antonieta deu em Heitor, durante Heitor em Antonieta, durante o livro preferido de Antonieta, durante o sorvete do menino solitário da esquina. O tempo parece não gostar de nos ver felizes. Tudo se acaba tão rápido!

Ah, tempo, opositor dos sorrisos!

Já o tempo que fica, ah, este inconveniente! O tempo que fica é o algoz, o carcereiro. É aquele tempo que pesa, que comprime o ar em nossos pulmões humanos, que se estende e tortura. É o tempo da doença, é o tempo da hemorragia. É o tempo da humilhação. É o tempo da febre da histeria. É o tempo em que se perde todo o orgulho.

É o prenúncio da morte

O tempo que fica é um sádico. O tempo que fica te segura na dor

O tempo que fica é o medo

É o terror que não passa, é o medo das batidas, ou da ausência destas

É o horror do chicote,  é a preguiça, é o domingo

É o medo, medo, medo e tédio. Esse tempo sim, fica, ecoa

Meu tempo, meu irmão, eu não temo. Não me pergunto quão longo será. Nem ele sabe, tão imprevisível, tão voraz! Meu tempo, meu irmão, é a luta, é uma nova cruzada. Pois só uma a guerra afronta o tempo.

A guerra, o confronto, a revolução do amor. Só o amor aceita tal combate.

(POESIA PROSEADA, VIDA ROMANCEADA – BRUNA ALENCAR)

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