A COROA DE ESPINHOS VEM AO MAR

bmhk

Depois de tanta luz esplendorosa, poemas em prosa
Versos livres, decassílabos, mudos e dissonantes.
Depois de tanta áurea prodigiosa,
tantos sonhos puros e vis, tantos sussurros escuros.
Tangos em madrigais, compassos celebremente desacertados,
Satélites inominados, cidades devastadas.
Depois de tanto encanto ao tocar, calor ao acarinhar,
Sofrejos, lampejos do tudo que um dia o futuro poderia anunciar.
Tudo sempre vai.
Escoa pela epiderme o que me faz humana. Uivo.
Um cataclisma começou nos olhos e percorreu todo um corpo inflado pela ausência.
A dor de quem veio do mar.
A dor de quem volveu a si.
A dor de quem sequer tinha pernas para o caminho.
As rimas sumiram, as palavras ressacaram sob o sol de meio dia desse mundo no qual eu me recuso.
Renunciei ao reino e despedacei meus títulos de nobreza.
Voltarei para a sujeira dos burgos, as tavernas, os risos que de tão tardes, caíram no esquecimento.
A coroa, que antes aquecia as ideias, queima ao me presenciar.
A coroa que não é mais minha, insiste em a pele lamber, louvar.
Torna-te espinho sobre a cabeça daqueles que não serão dignos de te possuir.

Depois de tudo, não pude evitar que se vertesse sangue sob tantos mapas indecifráveis.
Nós nos fazemos idiomas desconhecidos.

(BRUNA ALENCAR em Poesia Proseada, Vida Romanceada).

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