ANDRESSA

goticas

Tenho três corações e segundos de solidão
Inundei-me no mar dos olhos e tu me ordenou: cega!
Obedeci por tanto remar
Melhor ser cego do que ser peso, me dissestes.
Me punha para dormir com as tristezas que quisera vomitar.

Tenho três corações e segundos de solidão
Abandonei-te pela manhã e tu me ordenou: suma!
Obedeci querendo te olvidar
Melhor que não ordene o meu caos,
Sou entropia perpendicular, me dissestes.
Me ordenou força enquanto deitava no cansaço.

Tenho três corações e segundos de solidão
Deitei-me em suas pedras e tu me ordenou: voa!
Obedeci querendo te arrastar
Melhor que me ame de longe
Longo peito, pouco mar, me suplicastes.
Me beijou os olhos enquanto chovia em outras íris.

Tenho três corações e segundos de solidão
Amarrei-me aos teus pertences e tu me ordenou: solta!
Obedeci tentando te escalpelar
Melhor que devolva teus ossos,
Já tens o corpo no lugar, me confessaste.
Me abraçou com gosto de anjo, enquanto punha as asas para voar.

Tenho três corações e os segundos de solidão
Tenho teu sangue em todas as artérias, tenho veias com teu nome
Mas tenho a certeza de que nunca fostes desilusão
És o avesso da homeopatia, és minha agonia por não poder te curar
Me desculpe a inutilidade dos olhos rasos, só tenho sentimentos crassos
Mas não ouso te afogar.

Um coração para a dor. Outro coração que há de regenerar.
Outro coração para incinerar, coração de carne
Coração latente
Pronto para singrar.

De um novo triste enredo não hei de escapar.

(Bruna Alencar em Primeiros Poemas)

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