A Menina Com Coração de Porcelana

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A menina com coração de porcelana
deixou seu cheiro no meu corpo de pó
colocou seus seios no meio dos meus travesseiros
me pediu sexo com gosto de calma
e sentiu o luzir dos meus olhos
de uma cor límpida, nas curvas da visão.

A menina com o coração de porcelana
educou os pés para o silêncio
aprendeu a me amar baixinho,
a deixar em paz os passarinhos
a deixar em paz a mim, amou-me
mas foi bem devarinho, nas Quintas do afago.

A menina com o coração de porcelana
andou pelas veredas dos meus medos
de forma tão silente que não permitiu
que eu sou notasse o espaço que já ocupara
Ciente da sua marca, apenas me banhou
com seu corpo, nas madrugadas de tesão.

A menina com coração de porcelana
sorriu no meio do sonho do sono
Decretou o descanso das minhas pálpebras
Misturou sua pele com a minha
Não deixou que eu perdesse a hora
para a vida, nas vezes que eu fora amargo.

A menina com coração de porcelana
cantou Gil e Caetano enquanto eu passava café
cedeu às minhas queixas pela sua presença
quebrou seu método e tirou suas segundas roupas
desceu as escadas das regras
cobriu me de verdade, nas sombras de um clarão.

A menina com coração de porcelana
tão pouco me pedia, do tanto que me dava
seguia certa de suas escolhas, apenas recitando
um mantra para um tango vestido às pressas
“não machuca meu peito, não deite dor
na cidade submersa que eu te deixei entrar”.

Então, da menina com o coração de porcelana
eu apenas ria, certo de que também deveria
ter uma cérebro de gente insana
gosto de rosa louca, dos errantes
inconvenientes e inocentemente prontos
para o amor à qualquer tempo.

Então, um dia, por descuido ou revelia
Eu deixei o coração cair
Não tentei sequer usar as palavras como cola
Apenas varri os cacos dos anos
e fragmentos de um amor soturno enquanto ela partia
e me convenci que magoava apenas à si.

Então, na curva da poesia, eu soube que emudecera
Sem ela as palavras voltavam para o poço da simpatia
Pois a porcelana era a receita da delicadeza
Imprimindo sua leveza nas asas da esperança
Me ensinando idiomas que eu não conhecia
Sem ela não haveria mais pernas para as andanças.

A menina com o coração de porcelana
Sempre incerta de meus sentimentos
Ou certa de sua ausência
Hoje não sabe quanto escorre pela fenda dos meus olhos
quando eu lembro que o cheiro do amor é fragrância
insubstituível e, infelizmente, tarde reconhecida.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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You should have known that I don’t give second chances, the moment I told you that I don’t enjoy rereading a book.
You should have known that I don’t like superficiality, the moment I told you I’m addicted to silence.
You should have known that I’m feeling great, the moment I told you I appreciate solitude.
You should have known that I’m proud of whom I’ve become and the jewels that came with my pain, the moment I showed what I wrote.
You should have known that I don’t want you chained on me, the moment I kept my life goals.
You should have known that I can handle well with reality, the moment I said that I don’t drink.
You should have known that I have a lot of gratitude about what I have built, the moment I told you that I believe in effort.
You should have known that I keep looking for the meaning in this mad world, the moment I told you that I read José Saramago.
You should have known that I’m not affraid of love, the moment I told you I read Gabriel García Marquéz.
You should have known that I don’t need your love, but I accepted your challenge, among many other men, the moment I gave you more hours that I had with my books.
You should have known that I’m not ok about sentimental misunderstandings, the moment I looked at you in the eyes for uncountable minutes.
You should have known that I need reciprocity, the moment I told you that just liking is not good enough.


(Bruna Alencar – Love Is The Universal Vocabulary)