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Novamente você soltou seus anfíbios em meus sonhos. As mesmas quimeras dos nossos dias dourados. Você volta toda vez que eu deito meus olhos. Qual a mensagem o loiro dos teus cabelos impregnou em mim? Não tenho mais forças para anagramas.

Seu sorriso enviesado volta como um tapa enquanto permaneço açoitada pelo seu perfume. A lembrança da tua pele alva, tão marcada por meus apertos e pinceis.

Porém, o mais perfurante de todo o enredo, é que você se infiltrou em todos os meus sentidos. A memória das minhas papilas gustativas nunca apagou a composição dos teus fluídos. Foste a receita do delírio da minha visão, a nudez mais lírica. Ombros largos, queixo anguloso, força no silêncio. Teu respirar me ensinou que até o oxigênio deve ter morada ampla. Foste casa de engenho, grande, vultuosa e segura.

Cheguei a entrar em todos os cômodos?

Íris cínicas, língua ávida, oásis do tato. I left fingerprints everywhere on you.

Pintei com a cor mais bonita o dia em que vivemos um no outro sem pudores pela primeira vez. O sorriso impresso pela cumplicidade dos pecados do amor nos ombros e a paixão na garganta. Quando chupei sua nuca por incontáveis minutos de saliva, senti o gosto da derme salgada, sepultura de suores noturnos, a textura leve dos teus cabelos sempre claros e calmos.

Quantas promessas você tirou dos meus lábios? A sua presença me exigia a paralisação do mundo. Só amaria a você. Para sempre. Mas fui transgressora, bailarina de paixões. Fugi do cárcere dos teus braços. Memórias de cárcere que carregarei soturnamente até que me faltem forças nos joelhos.

O que eles nunca entenderam é que todos os escritos foram apenas sobre você. Que te cultivei em outros nomes, e só assim os tornei amáveis. Quando eles perceberão que eu só amei a você?

Seu cheiro é a minha impressão primordial. Fui concebida em você. Nasci quando te abracei pela primeira vez. So Young. So Naivy.

Esta não é uma carta, tampouco prosa ou poema. É apenas mais um estilhaço seu que encontrei em mim. Outro entrecortado pedaço de saudade para a coleção.

 

(Bruna Alencar – Teus Membros)

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