cova

Entre páginas sugestas, encontrei-te, mas tu és tão feliz que não me serve
Mas tu és tão feliz e nada te toca
Mas tu és tão feliz e não te sinto
Tu, que de tão cheio de contentamento, já não deixa espaço para quimeras
Tu, que de tão avesso aos solilóquios, já não enxerga a dor exposta em baixelas
Tu, que de tão dado ao riso vítreo, já não sente o travo da vida
Entre teus dentes, vives demente ao resfolegar por dias insípidos
Recusa os lábios ao acaso e segue o risco do traço sem transe
Do sangue que outrora pungente se desfez nos percalços.

A pressa em seres contentes por seres medíocres
És doente em suas gargalhadas pretensiosas, preenchendo de beleza e maestria
Essa vida de efeitos e sexo sem o gozo reverso do gosto.

Ciranda de amenidades, louco em trivialidades
E, de tão saudável, orgulho das nutricionistas
Acende o cigarro pelo filtro, só bebe água no copo
Dita o horário da foda e força não julga aprazível
Teu corpo não se difere da cova
Em tua saudável covardia.

Aquém, um cigarro e um absinto.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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