Ledo Luto

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Picareta. Machado. Moenda de sonhos.
Levei tua imagem em meus ombros estreitos
Lavei meu quinhão de mágoa e sobejos
Aceitei a dor que trazia em nome de quem acreditei que eras
Eras tão alvo e límpido, altivo e poeta
Que julguei que as reminiscências das tuas palavras
Aproximariam nossos estados.

Ledo e fugaz engano.

Peso. Uivo. Pedido de Socorro.
Que meios usastes para me convencer de que te salvava
Enquanto estendia os braços para outra margem
E banhava outro animal com sua pelagem?
Tu chamavas outra de casa e a matilha ficava em teu encalço.
Ilusão de perenidade, fugacidade do lar
Elegia outra matriarca e pedia meus olhos a te espiar
Silêncio obscuro e fugidio. Dor por olhos baixos e vazios.

Ledo e feroz engano.

Cinismo. Desencanto. Amargo do asco.
Edifiquei meus conceitos sobre ti e tu veio pronto,
Com todas as ferramentas para te esmigalhar a meus olhos
Chegou torto e trêmulo, contou dos algozes e dos gozos de outras noites
Deitou no tapete e me confundiu com uma puta
Fodeu um outro corpo pensando ser o meu, chorou meu nome no meio da embriaguez.
Não sobra lisonja, nem meu desejo te espreita
Só peço respeito pelos dias que para mim foste rei
Hoje ordinário, mostrou que do meu vinho não beberás
Mas no meu torço perfeito hei de tatuar
a sombra das tuas promessas
Que ingenuamente quis acreditar,
Fostes sopro de vida, santuário
Talvez pudesse ser lar.

Lido tarde. Ledo luto.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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