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O buraco do apego é o fosso que cavamos
para esconder os sonhos vazios
construídos em uma necessidade de companhia
voraz.

O buraco do apego é a ilusão que criamos
para pintar de azul nossos medos
fincados em uma liberdade que de tão ampla,
atroz.

O buraco do apego é o conforto momentâneo
para nos fazer crer no calor, pois
gélidos estávamos em uma distância que de tão alheia,
capuz.

O buraco do apego é o descontentamento ascendente
para envenenar nosso âmago
desgostoso em uma calefação de distração
mordaz.

O buraco do apego é a silhueta do abandono
para enganar nossos egos
altivos em uma ânsia de ser o eleito para o amor,
algoz.

O buraco do apego é a fuga pessoal
para esquecer que somos torpes
sublimamos os olhos em uma fantasia que de tão crua,
feroz.

O buraco do apego é sombra que exige
para nos esconder do mundo crasso
encaixes em uma caixa de regras sentimentais
contumaz.

O buraco do apego é a receita das vaidades
para nos individualizar em um terra de iguais
cortina de aceitações em uma paixão de que tão forte,
mudez.

O buraco do apego é véu que vem no vento
para dançar ao som das agonias e enlevos
habita nossas horas em um cortejo flores e balas,
languidez.

O buraco do apego é a inocência da crença pura
para nos remeter de novo ao abrigo do útero
engano ledo fincado no querer alguém que não machuque ao entrar,
cicatriz.

O buraco do apego é cilindro de oxigênio
para as solidões que se avolumam no arquivo de decepções
dissimula o querer o coração em casca de noz,
paz.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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vjnb

“Rasidão. Rasidez
Medo dos sonhos, travo do cravo
Que cunhou esse amor
Com gosto de
morbidez.
Rasidão. Rasidez
Volta das veias, claro dos vitrais
Construídos no paço
Que habitaremos
Não mais.
Rasidão. Rasidez.
Silêncio dos olhos, topor dos sentidos
Que deitam sunidos
na noite
Ao som da minha vez,
Enquanto a tez declara
Que
Pra mim
Não passa de covardia
O que tu chama de insensatez.
Rasidão. Rasidez”.


(Bruna Alencar)