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O buraco do apego é o fosso que cavamos
para esconder os sonhos vazios
construídos em uma necessidade de companhia
voraz.

O buraco do apego é a ilusão que criamos
para pintar de azul nossos medos
fincados em uma liberdade que de tão ampla,
atroz.

O buraco do apego é o conforto momentâneo
para nos fazer crer no calor, pois
gélidos estávamos em uma distância que de tão alheia,
capuz.

O buraco do apego é o descontentamento ascendente
para envenenar nosso âmago
desgostoso em uma calefação de distração
mordaz.

O buraco do apego é a silhueta do abandono
para enganar nossos egos
altivos em uma ânsia de ser o eleito para o amor,
algoz.

O buraco do apego é a fuga pessoal
para esquecer que somos torpes
sublimamos os olhos em uma fantasia que de tão crua,
feroz.

O buraco do apego é sombra que exige
para nos esconder do mundo crasso
encaixes em uma caixa de regras sentimentais
contumaz.

O buraco do apego é a receita das vaidades
para nos individualizar em um terra de iguais
cortina de aceitações em uma paixão de que tão forte,
mudez.

O buraco do apego é véu que vem no vento
para dançar ao som das agonias e enlevos
habita nossas horas em um cortejo flores e balas,
languidez.

O buraco do apego é a inocência da crença pura
para nos remeter de novo ao abrigo do útero
engano ledo fincado no querer alguém que não machuque ao entrar,
cicatriz.

O buraco do apego é cilindro de oxigênio
para as solidões que se avolumam no arquivo de decepções
dissimula o querer o coração em casca de noz,
paz.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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