Jacek Yerka 01

Um bombardeio?
Ah não!
Só mais um tempo em cacos
Estilhaços, pernas, braços
Zona de aluvião
Correm as horas, tique-taques
Tão desenvoltos
Dançam no salão
Demo-nos corda
E enroscamo-nos
sem perdão.
Tique-Tique. Toque triste.
Tique-Tique. Toque não.

Me debulho como um touro
Nos silêncios de orgulho
Não há mansidão, nada para
A batida ecoa torta
Por entre tuas novas folhas
Camufla-se ou camuflamo-nos:
Quem somos quando
a ira toma-nos completos,
e lambe os beiços,
com gosto férreo?
Tique-Tique. Toque louco.
Tique-Tique. Toque vão.

É um reino inquebrantável,
Zombeteiro, impenetrável
Que circunda tal região.
Quiçá um dia, tenha eu
Traje para sentar
Diante dos teus portões
nominados serenidade
Para ousar, ao menos,
ter esperança de usucapião
dessa vereda inóspita,
sem porteira ou modo
de aquisição.
Há apenas o pio
Do assum preto,
que bica, bica
E constata
Como é dura e inflexível
A faixa de terra que tu chama coração.
Tique-Tique. Toque seco.
Tique-Tique. Toque só.

Brindamos nossas conquistas
Em nossa inegável solidão
Espumo em veleidades
Para convencer-me
De não ver teu olhar
Que descansa no descaso
E reside na certeza
De ter-me fácil
Sempre à mão,
Como um criado-mudo
Um calço de porta
Uma cortina no verão.
Tique-Tique. Toque crasso.
Tique-Tique. Toque são.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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