mhj

Essa crença nesse amor de janela aberta
ainda muito vai ser chamado de neurastenia,
N’um tempo onde os olhos só descansam inquietos
Só há certeza onde houver sangria.

Os dias dobram nas lacunas do peito
Os afixos transbordam irregulares
Naquele momento de calma entre o choro e o medo
Só pulsa a solidão do mundo que nasce
Nada se diz, nada se pede
Só a impotência dos pés ausentes
Outrora túrgidos de incômodos,
de não vê-los como certos
em seu cediço caminho
de abandonos diários.

As garrafas gritam vazias
Reclamam seu quinhão de carinho sincero
– a todos cabe a ilusão de importância –
Mas nem todos seguem firmes
Diante da mudez das mesas solares
no meio de tantos períodos de vacância.

Dores arcaicas
garrafas térmicas
as cores respondem com indiferença
diante das preocupações humanas;
destoam os beijos cientistas
nos quais toda a saliva é mera química
quantificando hormônios
diante do urgir dos autômatos.

Indigno-me porque posso
por que com a arte tomei posse
dessa beleza que nega o vidro
troca laboratórios por camas
e faz sonatas com as palavras.

O gosto vítreo não agrada
Os pálidos amores não servem
Vejo apenas um rosto cálido
de pedir paz no teu esperma
sem me preocupar com teus açúcares.

Sou uma aprendiz de andar sinuoso
e só ofereço metástase.
Desculpe o alarde,
prometo partir pela tarde
e lavar a caneca no antes.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s