Como Amar um Pesquisador

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Como amar um pesquisador?
Como simplesmente deixar-se à deriva,
Ao sabor dos pensamentos e palavras livres
Quando se deve ter forma
Pois foste posto em redoma
E serás posto em provação
Aquém de qualquer provocação
Não se contamine, é apenas mera análise
Pois para amar um pesquisador
Deve-se viver na estrita linha
Tecida pela crítica da razão pura e prática!

Quando o humano se dissolve na impossibilidade coerência estrita
Como amar um pesquisador?
Com suas teses e provas, com suas ferrenhas observações
Lágrimas precisam ter lógica,
E sentimento é mera construção.
Como amar um pesquisador?
Quando tudo não passa de um bote
com a frieza necessária para a análise
Tudo comedido, não chegues tarde
Pois o coração do pesquisador não admite voltas
E eu devo ser um objeto silente, imaculado
Que não queima e não se corroí por emoções
Pois tudo isso é um perigo, uma variante
Ora, me desculpe, não queria dar trabalho ao pesquisador
Não pretendia bagunçar seu sistema
Pois fui aluna esforçada, garanto
Daquele tão sublime pesquisador – sem dúvida pesquisador nato
E tão logo consegui espaço na sua mesa
tão logo aprendi a temer as palavras
Calcular tudo perfeitamente, não deixar minha boca ao vento
Pois qualquer descuido na construção de uma frase,
Me reduz a pó e sou acusada de estar sob disfarce.

E o que martela minha ferida científica,
É saber que o pesquisador está sempre certo
Afinal ele tem mais experiência e desenvoltura
Nos campos dos saberes e quereres direcionados
Pois tudo deve ter apenas o motivo imediato
E devemos seguir o roteiro ao qual nos comprometemos
Fora disso há apenas desordem e balbúrdia
E se assim me mantivesse,
nunca conseguiria habitar o coração de um pesquisador
Tão criterioso e rígido, como os sinos de aço seco.

Muito exprime com tão pouco
Pois o pesquisador é sucinto, parcimonioso
E fora de tudo isso, há apenas um grotesco mundo incoerente
Que será sutilmente retirado da pauta
Desse amor de laboratório.

Assim, fica aqui esse manual pouco prático
Se quiseres se aventurar pela senda que
Eventualmente o pesquisador chama de coração,
De como conviver com o estigma de finalidade
E de como cedo abandonar a necessidade de
Ser compreendida por um pesquisador
Se fores instável demais ou apenas efeito placebo.

Também lembre de não insultar ao pesquisador
Não peça empatia e veneração,
Tu és mero humano, um entre tantos
E teus sonhos não possuem peso
E teu amar não pode ser quantificado,
Não podendo ser arguido em contestação.

Como amar um pesquisador?
Quando não se sabe dos pontos controvertidos,
O império do silêncio construído fora muito bem pensado
Para não me dar certeza e segurança, muito menos a pretensão
De um dia ser pelo pesquisador amada
Como algo que transcende uma objetificação.

(Primeiras Poesias – Bruna Alencar)

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