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Há muito o plantio não valhe a colheita
Em tempos em que o vão da terra se faz oco de propósito
Talvez culpa de uma ato unilateral
Pois o vento se faz escasso assim que a boca diz seu nome.

A única lei que vigora – de fato – é a do silêncio sobre o que se amou
Enquanto as chagas doem quietas, o pesar se esconde por recato
Nessa ciranda incansável
De nunca pesarmos o quanto se errou.

Há muito o plantio não valhe a colheita
E a sede por abraços é vista com enfado
Já que a brisa dita a paz de um amor insípido
Que só encontra guarida no ato covarde de calar.

Das dúvidas que se fazem mundanas
Fica o eco da descrença:
Nunca fostes amada, eras apenas boneca
Desculpa-te, causaste tantos aborrecimentos!

Há muito o plantio não valhe a colheita
Aqui jazem tantas tentativas, terríveis delírios
Quem dera um dia te encontre na vida
Desarmado e insone
Prometo amar-te de xícara cheia,
Até que a falta de açúcar te afaste.

Pelos elos que mantêm o elmo que tu carregas
Estou certa de saber tão pouco da tua estrada
Por vergonha ou reprimenda
Condenou-me a viver do lado de fora
Dessa festa macabra na qual batiza tuas desgraças.

Há muito o plantio não valhe a colheita
E não há condescendência que convença do contrário
Cultuou-se a pessoa errada, nunca fostes amada
Impossível esperar amor de quem a vida toda
Habituou-se à marteladas.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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