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“Essa dor póstuma é muito pouco, de fato. Talvez uma banalidade crassa. Uma rebeldia leiga. Culpe minha pouca idade, como quiser. Diga que foram os anos de teatro que deitaram mil ideias dramáticas na minha cabecinha frouxa.

Ah, mas essa dor póstuma ainda é muito pouco. Talvez o pior seja não concluir o enterro.

As cortinas ainda estão fechadas. Uma mácula. O sol não segue seu curso e inveja o rio. Quando será aprendida a arte de reconhecer um dano irreversível?

Seguimos salvando os soldados feridos, quando talvez a maior compaixão seria não humilhá-los. Hoje receber tão pouco do que outrora nos veio em abundância deixa essa sensação de vertigem ácida. Sobe pela garganta e fica remoendo no fim do indeglutível. Talvez seja o suco gástrico desses dias gatos nos quais o tombo parece incipiente e repetível.

Essa dor póstuma é muito pouco e não termina. Nunca é a última.

Ah, quanta idiotice, meu deus.

Sofrer por abstrações quando algumas palavras resolveriam o ato. Ou a falta dele.

Não aceitar mais essa terra rasada. Simplesmente ir embora.

Parece tão fácil. Por que mantemos os grilhões? Talvez seja por essa rouca dor póstuma. Que nos viciou nas pausas.”

(Poesia Proseada, Vida Romanceada – Bruna Alencar)

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