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Viciados que somos, poucos calos nos restam
Indivíduos individualizados, individualmente inquietos
Não ocupo o espaço do outro, um círculo completo.

O outro a quem se deve gratidão
Trouxe-me para casa, plantou-me como uma pera
Planícies de regras, piadas prontas, perenes.

Por um dia ou dois, no máximo, fica,
até que beire o cansaço e protesto.

Presença inconveniente, expulsa com os olhos para os trópicos
A boca diz fica, polido e presencialmente ausente.

Fique, ordeno que fique, faço gosto que fique na minha casa
Fica no meu pronome possessivo, no meu adjunto adverbial de lugar.

Mas não ocupe espaço. Fique quieta.
Nula. Não exija. Tenha calma.
Sem lágrimas, estas me cansam.
Durma muito. Esteja solar. Serelepe.
Satisfeita. Rouca. De preferência, muda.

Quantos aborrecimentos, quanta falta de satisfação
Ofereço a casa e ainda acha pouco.
Fique em casa, não ocupe espaço. Não pretenda mudanças.

Entenda que só nos fazemos bem em doses homeopáticas.
e casas separadas.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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