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“É tempo de levitar
Habitar as frestas dos sonhos
Disseminar absurdos, ideias escandalosas
Construções utópicas.

É tempo de levitar
Imaginar descabelos, grifar o toque
Deixar as garras recolhidas
Descansar as queloides, dormir sem ranhuras.

É tempo de juntar os dentes, as bocas, os lábios
Subverter os hinos, reformular as preces
É hora de reconhecer-se só, somente só ser.

É tempo de levitar
Aceitar o mundo dos fatos, lamber o empírico
Chafurdar na matéria e sublimar o espírito
É tempo de por as crenças em bandejas.

É tempo de levitar
É tempo de levantar
É tempo de abandonar as cavernas, desembrutecer
Abandonar os temores, apagar os fantasmas.

É tempo de levitar, sussurrar o grito
É tempo de lavar os cabelos, varrer os destroços
É tempo de abrir-se para visitação
e editais de curadoria
Ser acervo de vida e impulso de morte
O eterno. O contraditório. O indizível.
O segundo de espasmo no peito.
Aliás
É tempo de guardar o tempo, poli-lo.

É tempo de levitar
Respeitar o corpo, a febre e os cheiros
Incendiar a íris.

É tempo de levitar
Celebrar o nome, a filiação, a identidade.

É tempo de levitar
desaprender o ódio
ao invés de carregar escombros,
É hora de viver no mundo, apenas,
gratos.”

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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