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A solidão que se fez de pronto
instaurou-se, apenas,
não pediu perdão aos dias
tampouco deitou água nas hortas
agora vazias.

É que tudo o que pintamos
por vezes parece crasso,
destinado à alguma ironia
dos tempos em que se punha
os olhos em cestas
oferecendo-os a quem quiser que seja(s)

Cedemos muito no antes
Antes de vermo-nos arfantes
Mas agora nada cedo aos transeuntes
Pois agora escondo os olhos em baixelas
para só os servir aos teus rompantes.

Talvez ingenuidade, talvez alquimia
É que muito expliquei pela eletricidade
que contaminou meus tempos presentes
o choque dos corpos
das horas vadias.

Como se dá essa transmutação?
Em que se converte o ócio hipotético
em obrigação de dar
constituir-me em mora sem hesitação
às batidas na porta
batidas de braços e bocas
do teu suave coração.

E lá vem, de novo, não cansa
que estorvo, mania de fidelidade
ideia constante
doença velha, inescapável
Uma das partes, sentida insone
ao longo da tarde.

(Primeiros Poemas – Bruna Alencar)

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